A DURA REALIDADE DE FAMÍLIAS PINHEIRENSES NO LIXÃO: O CONTRASTE INVISÍVEL NA PRINCESA DA BAIXADA MARANHENSE

A cidade de Pinheiro, carinhosamente apelidada de Princesa da Baixada devido às suas belezas naturais e exuberantes campos alagados, vive um contraste doloroso que desafia seu título de nobreza regional. Enquanto o município se destaca como polo econômico e político do Maranhão, o lixão a céu aberto, que funciona há quase 30 anos, esconde uma dura e invisível realidade social: De acordo com informações, muitas famílias sobrevivem diretamente do descarte de resíduos do município.
Esse cenário de miséria extrema contrasta drasticamente com a imagem de desenvolvimento da região, expondo crianças e adultos a condições de vida degradantes, falta absoluta de saneamento básico e riscos graves à saúde. Famílias inteiras continuam sobrevivendo em condições subumanas, imersas em fumaça tóxica, em um cenário que fere frontalmente a dignidade de quem busca no lixo o que o Estado lhes negou.
Os relatos colhidos no local são alarmantes. Catadores como Dona Dijé denunciam a total ausência de suporte da prefeitura: "A prefeitura não dá nada, nunca deu". Sem o fornecimento de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), os trabalhadores são obrigados a comprar suas próprias luvas e botas. Quando não possuem recursos para isso, trabalham expostos a riscos constantes de ferimentos com pregos, vidros e agulhas contaminadas.
Além dos perigos físicos, há o peso esmagador do preconceito. Maria Reis Oliveira, também catadora, desabafa sobre a discriminação que sofrem: "A gente é discriminado, uns falam, outros caçoam... mas às vezes a pessoa não sabe o problema da gente". No local, a alimentação é precária, muitas vezes dependendo do que é encontrado entre os dejetos ou de doações esporádicas de cestas básicas por terceiros.
A repercussão nacional de anos anteriores, simbolizada pela imagem do menino que encontrou uma árvore de Natal no lixo, trouxe promessas de mudança que, até hoje, não saíram do papel. A atual gestão municipal ainda não apresentou uma solução concreta ou um plano de transição para um aterro sanitário que contemple a inclusão social e profissional dessas centenas de famílias.
O BlogdoCastro acompanha de perto essa triste realidade que o município atravessa. É um monitoramento constante de uma situação degradante, onde a sobrevivência é fruto do que a sociedade descarta e o poder público ignora. Na Princesa da Baixada, a realidade de quem vive dos dejetos alheios é um lembrete urgente de que o desenvolvimento precisa chegar, prioritariamente, aos que foram esquecidos entre os escombros da negligência pública
Redação-Robson Castro: BlogdoCastro.com.br/ Política e Cotidiano.



