POLÍCIA FEDERAL DEFLAGRA OPERAÇÃO GEMINI E INVESTIGA VENDA DE SENTENÇAS E LAVAGEM DE DINHEIRO NO TJMT
CUIABÁ – Uma grande mobilização da Polícia Federal (PF) sacudiu os bastidores políticos e jurídicos de Mato Grosso. Sob a determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ), foi deflagrada a Operação Gemini com o objetivo de desarticular um suposto esquema milionário de venda de decisões judiciais, ocultação de patrimônio, corrupção, advocacia administrativa e lavagem de capitais dentro do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).
A ação cumpriu mandados de busca e apreensão domiciliar, busca pessoal e determinou o afastamento dos sigilos bancário, fiscal e telemático dos envolvidos. Entre os principais alvos das medidas judiciais estão o desembargador afastado Dirceu dos Santos e o deputado estadual Faissal Calil (PL).
Estrutura do suposto esquema e elo financeiro
De acordo com as investigações da Polícia Federal, o grupo contava com uma engrenagem estruturada para dar aparência de legalidade aos recursos obtidos de forma ilícita. O advogado Bruno Oliveira Castro é apontado pelas apurações como o suposto elo entre os clientes interessados e o magistrado.
Já o deputado estadual Faissal Calil — que atuou como assessor técnico de projetos e acórdãos no gabinete de Dirceu dos Santos antes de ingressar na carreira política — é investigado por suspeita de participação em transações financeiras e negociações patrimoniais que visavam ocultar os valores das propinas.
A Corregedoria aponta que o desembargador movimentou mais de R$ 14,6 milhões em bens nos últimos cinco anos, apresentando uma variação patrimonial a descoberto que, somente no ano de 2023, superou a marca de R$ 1,9 milhão em relação aos seus rendimentos declarados.
Deputado nega acusações e entrega aparelho celular
Em pronunciamento oficial após o cumprimento dos mandados em sua residência, o deputado Faissal Calil demonstrou tranquilidade e negou categoricamente qualquer envolvimento com o esquema ou repasse financeiro ao magistrado. O parlamentar destacou que o único item recolhido pelos agentes federais em sua casa foi o seu aparelho celular.

> "Não existe nenhuma transação econômica minha com ele. Isso não é verdade. Pode investigar o que for, porque estou muito tranquilo. Desde que me tornei deputado e deixei o Tribunal de Justiça, perdi completamente o contato com ele. Eles pediram o celular, eu entreguei na hora, junto com a senha do iCloud. Quero que a verdade apareça o mais rápido possível", declarou o deputado Faissal, desmentindo ainda boatos sobre apreensões de joias ou relógios de luxo.
O caso gerou imediata e forte repercussão nas redes sociais e nos corredores do poder em Mato Grosso. A Polícia Federal e o STJ seguem analisando os materiais colhidos para aprofundar o fluxo financeiro e identificar a extensão das negociações de sentenças.
Até o fechamento desta matéria, as defesas dos demais citados não haviam se manifestado publicamente. Vale ressaltar que o processo se encontra em fase de coleta de provas; não há condenações vigentes e todos os investigados são considerados inocentes até que haja uma decisão judicial definitiva.
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