PF DEFLAGRA OPERAÇÃO CONTRA MÁFIA DO DENDÊ QUE MOVIMENTOU R$ 1 BILHÃO NO PARÁ


A Polícia Federal, em conjunto com a Receita Federal, deflagrou na última quinta-feira (17) a Operação Termidor, ação que resultou em cenas de tensão em Belém do Pará. Segundo informações repassadas à redação, logo pela manhã os agentes estiveram em endereços de alto padrão da capital paraense, entre eles o apartamento 1802 do Edifício Village Moon, na Avenida Visconde de Souza Franco, conhecida como Doca. No local, um dos alvos teria arremessado o próprio smartphone pela janela ao perceber a chegada dos policiais, o que levou a PF a cercar o prédio em busca do aparelho e gerou grande rebuliço entre moradores e transeuntes.







A operação foi autorizada pelo juiz federal Carlos Chada, titular da 4ª Vara Federal do Pará, e contou com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público Federal. A investigação mira um esquema criminoso estruturado em torno do furto, da receptação e da comercialização ilegal do fruto do dendê, além de práticas de lavagem de capitais e ocultação de bens, direitos e valores. De acordo com a apuração, o esquema movimentou cerca de R$ 1 bilhão nos últimos quatro anos, incluindo a manutenção de patrimônio em nome de terceiros para dificultar o rastreamento pelas autoridades.

Além do Village Moon, equipes da PF cumpriram mandados de busca e apreensão em outros endereços de destaque na capital paraense, como os edifícios Castelo Massino, Malmo, Rio Mino e Lisse. O processo corre sob sigilo, que deve ser levantado somente após a conclusão do cumprimento de todos os mandados judiciais.

Ao todo, estão sendo executados nove mandados de prisão preventiva e 26 de busca e apreensão, distribuídos pelos municípios paraenses de Belém, Ananindeua, Castanhal e Tomé-Açu, além de Indaiatuba, no interior de São Paulo. Como parte da ação, a Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 153 milhões em bens e valores pertencentes aos investigados, e as atividades econômicas de onze empresas apontadas no esquema foram suspensas por tempo indeterminado.


Conforme apurado pela redação do BlogdoCastro, as investigações tiveram origem na chamada "guerra do dendê", conflito registrado nos municípios de Concórdia do Pará, Tomé-Açu, Acará, Moju e Tailândia. A região é marcada pela monocultura intensiva da palma e pela presença histórica de comunidades indígenas e quilombolas, cenário em que se consolidou uma estrutura criminosa armada, contando, segundo as apurações, com apoio de servidores públicos ligados à área de segurança do estado.






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